Excerto de estudo científico:
Efeitos do azeite de oliva extra virgem e do petrolato na função da barreira cutânea e na microtopografia da pele
Resumo
Contexto/Objetivos: Óleos naturais são amplamente promovidos e utilizados em todo o mundo como parte dos cuidados com a pele. Entre eles, o azeite de oliva extra virgem (extra virgin olive oil, EVOO) destaca-se por sua ampla gama de compostos orgânicos e suas conhecidas propriedades hidratantes. Este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da aplicação tópica de EVOO em comparação com o petrolato sobre a função da barreira cutânea (skin barrier function, SBF) e a microtopografia da pele.
Métodos: Foi realizado um ensaio clínico randomizado intraindividual com voluntários adultos saudáveis. O EVOO e o petrolato foram aplicados em áreas definidas no antebraço volar. Foram avaliados parâmetros relacionados à SBF, incluindo hidratação do estrato córneo (stratum corneum hydration, SCH), perda transepidérmica de água (transepidermal water loss, TEWL), temperatura e eritema. A microtopografia da pele foi avaliada por duas abordagens: (1) parâmetros topográficos — rugosidade superficial, descamação, suavidade e rugas; e (2) composição do estrato córneo (stratum corneum, SC) — subtipos de corneócitos e índice de descamação (desquamation index, DI). Os participantes também responderam a um questionário de tolerabilidade para cada produto.
Resultados: Um total de 54 participantes (50% do sexo feminino; idade média: 28,57 ± 11,02 anos) completou o estudo. Tanto o EVOO quanto o petrolato melhoraram significativamente a SBF, aumentando a hidratação do estrato córneo e reduzindo o eritema e a temperatura da pele. O petrolato também reduziu a TEWL. Em relação à microtopografia da pele, ambos os produtos diminuíram o índice de descamação e reduziram a prevalência de corneócitos maduros (tipos 2–5). Esses efeitos foram mais pronunciados com o petrolato. Notavelmente, o EVOO aumentou significativamente a proporção de corneócitos em estágio inicial (tipo 1).
Conclusões: Tanto o EVOO quanto o petrolato melhoraram efetivamente a função da barreira cutânea e as características microtopográficas da pele. Enquanto o petrolato exerceu um efeito oclusivo mais forte, reduzindo a TEWL e a descamação, o EVOO promoveu de forma única a renovação epidérmica ao aumentar o turnover epidérmico.
Introdução
Os óleos vegetais têm sido utilizados há muito tempo na dermatologia e na cosmetologia devido à sua ampla gama de benefícios fisiológicos para a pele [1]. A aplicação tópica de óleos vegetais pode fornecer uma barreira protetora ao exercer um efeito oclusivo, aumentando assim a hidratação da pele por meio da redução da perda transepidérmica de água (TEWL) [2]. Diferentemente dos tratamentos sistêmicos, as formulações tópicas apresentam as vantagens de maior biodisponibilidade local e menor exposição sistêmica, tornando-as ideais para terapias cutâneas direcionadas [1,2].
Diversos óleos derivados de plantas têm sido estudados por sua capacidade de promover a saúde da pele [3]. Em particular, o azeite de oliva (olive oil, OO) é rico em ácidos graxos monoinsaturados (especialmente o ácido oleico) e contém um perfil complexo de compostos bioativos, como polifenóis, incluindo álcoois fenólicos, ácidos fenólicos, flavonoides, lignanas e secoiridoides [4]. Esses compostos fenólicos apresentam fortes propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e regenerativas da pele, podendo contribuir para o fortalecimento da função da barreira cutânea e a redução da inflamação cutânea [4,5].
O azeite de oliva extra virgem (EVOO), obtido por prensagem a frio, mantém uma concentração mais elevada dessas moléculas bioativas em comparação com óleos refinados, devido à ausência de calor ou processamento químico [5]. O EVOO pode oferecer benefícios superiores na manutenção e restauração da integridade da barreira cutânea [4,6,7].
Na prática clínica, especialmente na atenção primária [8], o EVOO é comumente utilizado em procedimentos como o amolecimento do cerúmen antes da sua remoção, o manejo de feridas crônicas e a prevenção da xerose em pacientes geriátricos [8,9]. Devido às suas propriedades anti-inflamatórias, também é ocasionalmente utilizado em condições como eczema, rosácea e psoríase [9].
Da mesma forma, o petrolato é amplamente utilizado em distúrbios cutâneos, incluindo feridas pós-operatórias [10], dermatite de contato irritativa [11] e eczema crônico das mãos [12]. O uso de ambas as substâncias é frequentemente orientado por sua acessibilidade e baixo custo, especialmente em contextos com recursos limitados [9,10]. No entanto, apesar de seu uso tradicional generalizado e de suas composições favoráveis, ainda existem evidências científicas robustas limitadas que sustentem seus efeitos sobre os parâmetros biofísicos da função da barreira cutânea.
Portanto, o objetivo deste estudo foi investigar os efeitos da aplicação tópica de EVOO e petrolato sobre a função da barreira cutânea e a microtopografia em voluntários adultos saudáveis. Ao avaliar indicadores-chave, como TEWL, hidratação e textura superficial, esta pesquisa busca elucidar o potencial dermatológico do EVOO e apoiar seu uso baseado em evidências nos cuidados e na terapia da pele.
*Para ter acesso à íntegra do estudo, clique aqui e leia publicação original.